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[EDIÇÃO 71] COLUNA DE XAVIER GONDIM

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TODO POLÍTICO CALÇA 40?
@ Numa linguagem mais acessível a todos, dizer que todo político calça 40 é mesmo que dizer que todo político é igualzinho em tudo. A expressão tem sentido pejorativo. Todo político é igual: quando chega ao poder faz a mesma coisa. Essa é a idéia que está arraigada na cabeça de quem diz isso. Falando ainda no 40, o número tem uma série de casos em que ele é usado. Umas vezes em situações boas; noutras, em situações pra lá de péssimas: “Ali Babá e os 40 ladrões”é uma história bastante antiga e transformada em filme; Moisés passou 40 anos caminhando no deserto em busca da terra prometida; Jesus Cristo passou 40 dias e 40 noites em jejum; o dilúvio bíblico durou 40 dias e 40 noites; Moisés esteve no monte Sinai por um período de 40 dias e 40 noites para receber de Deus as instruções da lei; Na lei de Moisés eram dados 40 açoites em quem fosse condenado em juízo; o período da quaresma é de 40 dias que vão da quarta-feira de cinzas até domingo de Páscoa; quem completa 40 anos tem quadragenário; há uma comida feita com milho e outros ingredientes, servida como lanche, cujo nome é 40. O 40 serviu como propaganda numa campanha política, em alusão a um partido. Como o leitor, já estou abusado desse número. Agora, pra concluir, citarei uma frase que se tornou histórica na campanha municipal do ano 2000. O ex-prefeito Rosvaldo Bezerra era candidato a vereador naquele pleito. Em um de seus discursos, ele assim se expressou: “Dizem que todo político calça 40. Eu calço 40 e mais alguma coisa”. O alguma coisa era o restante dos três algarismos de seu número para vereador.
 
NEGÓCIOS NA ESTRADA
@ A chegada da BR 110 é um presente para toda nossa geração e um privilégio também. Prefiro não comentar seu impacto positivo. Falarei do que pode ser negativo, se prepararmos a população para receber aquele grandioso benefício. Com o advento do asfalto no centro da cidade, já pudemos notar que o número de acidentes aumentou, porque nosso povo não está preparado para andar na via pública, que tem pouca ou nenhuma sinalização. Ao andar daqui pra Mossoró, pude ver algo muito estranho e lamentável. Havia pessoas no meio do asfalto fazendo negócios. Isso mesmo. Fazendo negócios de compra e venda. A cena foi repetida aqui no centro da cidade. Há solução para isso? Sim. Ela passa, como sempre, pela via da Educação. É na escola que isso pode ser corrigido e prevenido. Chamamos a isso de educação para o trânsito. Se as pessoas não sabem andar no asfalto, então é preciso aprender. Se ainda não sabem que é necessário andar pela direita da estrada, é preciso saber. Se ainda não sabem que só temos uma vida e o pescoço não tem remendo, também é preciso saber.

CHICO CANDIDO
@ Quando eu ainda estava aprendendo a ler, como é natural, onde via uma palavra, queria treinar a leitura. Na escola onde estudava – Escola Estadual Professor Alfredo Simonetti – todas as classes tinham uma plaquinha acima da porta com um nome de um personagem do passado, já falecido. Ao passar por uma dessas salas, avistei a seguinte inscrição: “Sala de professores Chico Cândido”. Não perdi tempo e comecei a balbuciar a frase. Soletrei as primeiras palavras acertadamente, mas tropecei na última porque estava acentuada. Ao invés de ler Cândido, li Candido. Troquei a pronúncia proparoxítona por paroxítona. E quem foi Chico Cândido? Só mais tarde soube quem era aquele senhor. Depois confirmei com um de seus netos, o conterrâneo Januário Bezerra. Chico Cândido era o pai de Luiz Cândido Bezerra, que foi prefeito de Upanema por duas vezes, vindo a falecer no segundo mandato em 26 de maio de 1986.

QUANDO A GENTE PENSA
@Manuais de autoajuda e de psicologia ensinam que não se deve fazer nada precipitado, sem antes pensar duas ou mais vezes. “Conte ao menos até três, se precisar conte outra vez, mas pense outra vez”, ensina o cantor e compositor Roberto Carlos. Teoricamente a coisa funciona. No momento do pega pra capar, é que são outros quinhentos. Pensar duas ou mais vezes antes de vingar de alguém ou dizer uma palavra dura, cuido ser o caminho certo, mas nem sempre na hora pensamos assim. Muitos atiraram bem antes de pensar. Se tivessem pensado, tudo teria sido diferente.

A ESCOLA COMO UM FARDO

@ Frequentemente vejo pessoas indo à escola como se estivesse carregando um grande peso nas costas. Literalmente até que isso já é possível a gente vê. É que depois do programa do livro didático, algumas vezes é necessário que o aluno leve um peso muito grande nas costas. Quando reclamam, prefiro dizer que no meu tempo de estudante a coisa era mais pesada porque não tínhamos nenhum livro para levar. Voltando ao peso no sentido figurado, digo que ele diminuirá se cada um considerar cada fato pelo lado positivo. Olhemos ao nosso redor e vejamos os pontos positivos da escola nesses últimos anos. Quantas conquistas tivemos! Com a vida fora da escola é a mesma coisa. Não podemos nem devemos considerá-la um fardo. Se há desafios, temos de enfrentá-los. Jogar na ofensiva quase sempre. Bola pra frente. Quando for para recuar, que recuemos. Mas nunca desistamos. 

BARREIRAS
@ A experiência nos ensina que muitas vezes precisamos passar pela pressão para que possamos ultrapassar algumas barreiras. Barreiras. Gosto muito de falar delas porque nessa vida é o pau que mais tem. Para nascermos foi preciso vencermos algumas barreiras e ganharmos uma corrida para milhões de espermatozóides. Ao nascermos, vencermos outros obstáculos como o de aprender a andar, de ficar na escola pela primeira vez, de arranjar namorada, de concluir o Ensino Médio e de passar no vestibular. Sobre este último, arranjaram novas formas de se entrar na Universidade, mas ainda não conseguiram fazer os meninos passarem direto, sem obstáculos. Enquanto o dia não chega, é preciso que eles aprendam que a vida é feita de obstáculos. E as pressões surgirão, a partir das famílias. A escola tem também o papel de arrochá-los para que estudem o bastante, porque apertada é a porta e estreito é o caminho que leva à Universidade. Se bem que enlargueceram a porta com o ENEM, mas ainda está apertada pra muita gente.

DÚVIDAS
@ O que estamos fazendo com as nossas dúvidas? Perguntar não é a coisa mais simples do mundo? É. Mas nem sempre estamos dispostos a perguntas. Os motivos disso são os mais diversos, desde o natural acanhamento até o descompromisso com o assunto. Quando se trata de uma sala de aula, temos os muitos exemplos. Aquele aluno acanhadinho do final da sala não está entendendo nada na aula de Química. O que ele faz? Engole todas as dúvidas. O resultado, todo mundo já sabe. Há outros que nada perguntam porque aquilo não interessa a ele no momento. Ou ele pensa que nunca servirá para ele. No dia-a-dia nos deparamos com muitas palavras ou expressões que não temos a menor idéia do que aquilo se trata. As expressões referentes à Economia e ao Direito estão na dianteira das que oferecem as maiores dúvidas. Nos telejornais são quase diárias as notícias sobre alguém que foi preso e ainda não teve o julgamento da Justiça.”Ninguém pode ser preso sem o conhecimento das causas, podendo o acusado defender-se livre.” “Que tenhas o corpo para apresentá-lo diante do tribunal, ” é a tradução literal para o famoso “habeas-corpus”. São esses e outros exemplos que nos deparamos no dia-a-dia. Se não sabemos, é preciso que tiremos a dúvida. Engoli-la, não é a solução e não enche o bucho de ninguém.

EM BRASÍLIA, 19 HORAS
Criado em 1932 com o nome “A Hora do Brasil”, o programa passou a ter outro nome a partir de 1962: “A Voz do Brail”. Sinônimo de coisa pra gente velha, da antiguidade e sem valor, o programa pode ter seu horário flexibilizado. Tramita no Senado uma lei que tenta modificar a estrutura do programa, como o horário da veiculação. Hoje é levado ao ar, obrigatoriamente às 7 da noite. O projeto que tramita no Senado quer que seja flexilibilizado entre 7 e 11 horas da noite. Alguns são contra e outros defendem a mudança, mas que seja mudado o formato e que torne A voz do Brasil um grande programa. Que seja um programa voltado para o homem do campo, com uma linguagem simples, numa linguagem jornalística que o povo entenda. É preciso reformar o programa. Airton Medeiros, o dono daquela voz que dizia: “Em Brasília, dezenove horas”, relembra daquele momento áureo do programa que é uma das marcas do passado de nós brasileiros.

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